Sandes de Choco
Um espaço dedicado ao choco em geral e à sandes de choco frito em particular. E aos seus derivados e sucedâneos. E à mini. E não só.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Trabalho é trabalho

"Trabalho é trabalho". "Não é para gostar. É para fazer".
Estas são algumas das frases que demonstram a opinão da maioria das pessoas em relação a esse autêntico cancro social que é o trabalho.
Há outras frases de que gosto mais, mas são mais do género "Não é preciso fazer o trabalho com pressa. Ele não vai embora." ou ainda "Pressa no trabalho para quê? O trabalho não azeda. Sopa é que azeda."

O pior do trabalho, é que é uma coisa que me cansa muito.
No dia em que eu disser que gosto do meu trabalho, autorizo o respeitável leitor a vir aqui pessoalmente e abater-me a tiro, como um cavalo moribundo que já não tem salvação possível.
Se calhar devia ter uma cápsula de cianeto no anel, para uma emergência dessas. Infelizmente temo não estar dotado de todas as minhas (já escassas) faculdades mentais e não ter a clarividência suficiente para tomar a decisão de usar a cápsula. E também não uso aneis. Isso pode ser uma espécie de problema.

Há um portão famoso em Auschwitz que diz: "Arbeit Macht Frei."
Isto quer dizer qualquer coisa como: "O trabalho liberta". Mas não liberta. Nunca libertou ninguém. O trabalho só atrai mais trabalho. Era mentira. E foi por isso que aquela malta foi toda presa e/ou executada. É porque mentir é muito feio. Ainda mais sobre um tópico tão sensível.

Quem disser que gosta do seu trabalho não deve ser levado a sério. Eu sei que há malta que diz isso. Mas é a brincar. Não pode ser verdade. Não pode.
Mas se fosse mesmo verdade, o melhor seria interná-los. Ou abatê-los. Ou qualquer coisa assim.
Um amigo meu tem uma teoria. Se eles dizem isso, se gostam tanto de trabalhar, e se fazem isso tão bem, então esses que trabalhem por nós. Certamente farão o serviço melhor que nós, o resto da população indolente que prefere não fazer nada. O nosso trabalho, feito a contra-gosto, nunca sairá tão bem como o dos trabalhores felizes, úteis e dedicados. Assim nós, os inúteis, afastamo-nos desse processo produtivo, só para garantir que não perturbamos ninguém.
Assim ficamos todos satisfeitos e a sociedade será muito melhor.

Mas não é verdade. Ninguém gosta do seu trabalho. Esta é a verdade.
Há a tendência para, erradamente, pensarmos que o trabalho do outro é melhor que o nosso. Isso é completamente errado. Todo o trabalho é igualmente mau, sobretudo a partir do momento em que passa a ser o nosso trabalho.

Ocorreu-me no outro dia. Estava a navegar na internet à procura de coisas completamente inúteis, em vez de trabalhar. Acho que eram coisas sobre a segunda guerra mundial. Pensei: "Eu gostava mesmo era de ser historiador. Era muito mais interessante do que este trabalho chato que faço!"
Mas rapidamente me apercebi que não. O trabalho será sempre chato. A magia desaparece a partir do momento em que a coisa se torna trabalho.

Não há empregos de sonho. Estou plenamente convicto de que o Figo foge dos treinos para programar Java às escondidas. E que os gajos do Gato Fedorento fazem folhas Excel com cálculos de contabilidade enquanto fingem estar a escrever sketches humorísticos. E que o Tiago Monteiro se fecha na casa de banho a escrever tratados de filosofia antes dos grandes prémios de Fórmula 1. E que o Eng. Sócatres sonha com um emprego na distribuição da revista "A Dica da Semana" enquanto implode torres em Tróia (mesmo que seja uma implosão em playback).

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